2 de out de 2012

Do Exílio II, 20/07/1942

Minha prisão já fora mudada tantas vezes que o sol me perdeu e desenvolvi asas.
Minha morada encontra-se acima do chão por duas vezes, flutuando... Como minhas velhas penas.

Meu senhor aprisiona canários, e exibe sua chave dourada com orgulho e desdém, pois sabe que possue minha carne.
Os lobos abaixo de mim aguardam ansiosamente por minha soltura, mas sabem do impossível - meu cárcere é tão duradouro quanto as pequenas migalhas que recebem e saboream com louvor.

Não tenho paz, nem em meus pensamentos. Meu algoz transpôs os limites da alquimia e faz canários executarem melodias infinitamente belas - e mortalmente proibidas. Invadida  em toda minha condição... Sem permissão ou piedade.

Liberdade é uma palavra doce... E duramente cruel.

Meu destino pode até estar selado, mas minha luta há de continuar, em sangue, veneno e fúria.