26 de ago de 2003

Eu sei que determinada rua que eu já passei não tornará o ouvir o som dos meus passos... Tem uma revista que eu guardo há muitos anos, e que nunca mais eu vou abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa, pode ser que esta pessoa esteja me vendo pela última vez...

A morte, surda, caminha ao meu lado... e eu não sei em que esquina ela vai me beijar.

Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que tenho de fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio de um copo de uísque, na música que eu deixei para compor amanhã... Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro
no cinzeiro?

Vou te encontrar vestida de cetim, pois em qualquer lugar esperas só por mim! E no teu beijo provar o gosto estranho, que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar... Vem! Mas demore a chegar eu te detesto e amo... Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida!

Qual será a forma da minha morte, uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida?
Existem tantas...

Um acidente de carro
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal aplicada
A vida mal vivida
A ferida mal curada
A dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido
Ou até quem sabe,
.
.
... O escorregão idiota num dia de sol... e a cabeça no meio fio...

Ó morte, tu que és tão forte
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com tua mais bela roupa quando vieres me buscar!

Porque eu continuarei... nos meus filhos, na palavra rude que eu disse para alguém que eu não gostava...

E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Canto para a Morte, Raul Seixas (trechos)

Guto, dedico este post a você querido... sei que adora esta música ^____^